Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

A SIC N tem transmitido uma auto-promoção de grande qualidade com o excelente texto que passo a reproduzir:
O quarto poder é um quarto. Com vista sobre a cidade que já não o é; sobre as ruas que já o foram; sobre as casas que deixaram de o ser.
O quarto poder é um pai; e um filho tornado órfão por uma bala certeira; errada no alvo, errada na hora, errada no tempo que faz do lugar a morada última de um quotidiano que se extingue.
O quarto poder é um fogo; ingrato nos modos, ousado na fuga, intenso na cor, injusto nas vítimas.
O quarto poder é um mar; um oceano de raiva, um elemento à deriva, uma ausência de razão, um lamento inconsolável, um ímpeto de sobrevivência.
O quarto poder é um sopro; de espada em forma de pena, de penas em forma de espadas, de imperfeitos pretéritos, de distorcidos desejos, de ódios e iras e túmulos, e vidas e mortes e destinos, e estilhaços e condições desumanas.
O quarto poder é um berço; a inocência do dia primeiro, segundo a segundo; o choro e o riso, o siso e o norte, o sol e o sul, o leste e o oeste, os cardeais preciosos que guiam, precisos, o começo da nova vida.
O quarto poder é um voto; um desejo dobrado em quatro, a esperança feita num oito. Promessas, palavras vãs, ínvios caminhos, passos perdidos, leis e normas e regras e o melhor dos países e os oásis e os pântanos, e a pose a pensar na posse, no quero, no tudo, no mando.
O quarto poder é um piano; as teclas o prolongamento do tacto; a pauta a serenidade literária, a mão, silhueta temerária, e a mente, suavemente brilhante, tem na partitura o efeito, e na causa cheia o aplauso.
O quarto poder é um golo; um passe em profundidade; um drible, um truque, um remate, uma falta como se pecado fosse, um alento, um país, uma forma de vitória, a outra forma da derrota.
O quarto poder é uma luta; um jeito de desespero; a tábua do náufrago, os argumentos do facto, o mais dos que têm menos, o menos quando são demais.
O quarto poder é um acto; as horas que dele decorrem, as vidas que nele se perdem, as incertezas do dia e a inevitabilidade da noite.
O quarto poder é um arbítrio; um acaso disfarçado, um fogo-fátuo do nada, de tudo a fatalidade, de todos a provação, de muitos a privação, de quem a responsabilidade?
O quarto poder é pergunta; e resposta e mais pergunta, e tese e antítese e síntese; e os dias que hão-de vir, a nobreza do dever, a missão de não esconder, de mostrar, de saber, de fazer saber, de saber fazer, olhar e explicar.
O quarto poder é um quarto. Um quarto revisitado, um pai que é baleado, um fogo inacabado, um mar assim tresloucado, um sopro sentenciado, um berço de novo ocupado, um voto mais uma vez escrutinado, um piano a ser tocado, um golo que é celebrado, uma luta que dá brado, um acto premeditado, um arbítrio incontrolado, uma pergunta no estrado.
O quarto poder é um nome: SIC. O orgulho de poder dizer.
É um texto extraordinário, não é? Dizem-me que o autor é o jornalista Reinaldo Serrano. Parabéns.
Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Tenho para mim que a maior operação de marketing do ano é a que está a decorrer em benefício do ensino privado. De certeza que, no próximo ano lectivo, haverá mais inscrições de alunos nos estabelecimentos privados. De certeza que, até ao final do corrente ano lectivo, os pais que têm filhos nas escolas públicas - e se preocupam com a sua formação - vão contratar mais explicações particulares.
No princípio da sua vida, a grande rival da LPM era a Infoplan. Mais tarde, durante muitos anos, veio a ser a Imago. Agora, são outras. De falta de persistência não posso ser acusado.
Mas, para além dos aspectos referidos, a grande diferença entre a Infoplan e a LPM assenta no facto de a primeira ter sido o departamento de uma agência de publicidade e a segunda ter sido – e continuar a ser – uma empresa do segmento do conselho em comunicação.
Ora, esta diferença fundamental tem uma origem fortuita.
De facto, em 1986, quando decidi iniciar uma actividade de assessoria mediática estava convencio que a faria no âmbito da Ciesa/NCK, a agência de publicidade principal rival da McCann.
Na altura, a Ciesa/NCK (actual Publicis) era dirigida por um amigo e antigo colega de jornalismo, o Francisco Agarez. Ele costumava telefonar a interessar-me pelas potenciais notícias dos clientes da sua agência e, aqui e ali, ia encorajando-me a olhar para o mercado do “outro lado” da informação.
Só que a criação na Ciesa/NCK de um departamento idêntico à Infoplan, se chegou alguma vez a fazer parte dos projectos do Francisco Agarez, nunca chegou a concretizar-se – nem, aliás, foram dados passos nesse sentido.
Optou-se pela fórmula diferente da parceria - para a assessoria mediática e outras disciplinas “bellow the line” -, circunstância que esteve na origem da criação da LPM como empresa independente.
Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

A propósito
deste comentário (é a segunda vez, hoje, que concordo com este colega…), deixo um pequeno conselho: rever sempre os “soundbites” introduzindo
o filtro do 26.000. Porque é para o 26.000 que estamos a falar.

O meu colega (da Ipsis) João Villalobos
escreve uma análise que partilho acerca do “prémio” atribuído pelo Financial Times ao nosso ministro das Finanças.
Pelo que ocorre neste caso podemos avaliar as dificuldades por que passa a consultora de comunicação inglesa em tempos
contratada pelo Ministério da Economia para fazer a assessoria mediática do governo português junto dos media internacionais de referência.
Muito bom dia: Já agora, acrescento uma nota sobre o tema Infoplan.
Depois do Carlos Plantier (meu chefe de Redacção n’ A Tarde, e que me convidou a entrar na McCann), segue-se outro jornalista, o Ângelo Granja (Infoplan passa então a McCann Imagem). Eu fui o último responsável do departamento (ainda com a designação McCann Imagem e, depois, adoptando a marca Momentum – grupo Interpublic).
Obrigado, Alberto Machado
A existência da Infoplan marcou, naturalmente, o meu pensamento quando decidi lançar-me no mercado, praticamente inexistente, da assessoria mediática – na altura, dizia-se assessoria de imprensa.
Identifiquei a maior dificuldade do departamento da McCann e decidi proceder de maneira oposta. Como?
A Infoplan tinha por política comunicar através de notas de imprensa padronizadas e fazê-las chegar universalmente às redacções. Sim, por estafeta, porque ainda não eram conhecidas as mordomias de difusão do fax, primeiro, e da internet, depois.
Quanto lancei a LPM, escolhi o caminho contrário. Isto é, para cada tema (cada potencial notícia), identificava o meio relevante e falava directamente com um jornalista que cobrisse a respectiva área.
Além disso, “passava-lhe” o essencial da informação, mas encorajava-o a fazer o seu próprio trabalho, fornecendo-lhe os contactos com os protagonistas dos factos e dados complementares.
Embora o crescimento da LPM tenha alterado o nosso modelo de funcionamento, creio que, ainda hoje, grande parte da informação que trabalhamos circula deste modo pelos media relevantes.
A Infoplan também tinha a prática de promover muitas iniciativas destinadas a jornalistas, desde conferências de imprensa a visitas a fábricas, certamente por razões mais comerciais do que de eficácia na passagem de informação.
Eu, que sou um bicho-do-mato, decidi fazer o oposto, também nesta matéria. Decidi que a LPM não promoveria iniciativas colectivas para jornalistas – apenas contactos personalizadas.
Consegui manter esta estratégia de trabalho durante algum tempo, mas, de facto, as pressões das organizações para fazer encontros com jornalistas era – e é – muito grande… Enfim, manias.
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Gostei de ver António Silva Gomes como fonte dos extractos históricos daquele artigo do Expresso sobre consultoras de comunicação.
Apesar de apenas o ter encontrado duas ou três vezes, nutro uma antiga admiração pessoal e profissional por aquele que foi, anos a fio, o “patrão” da maior agência de publicidade do mercado português de então – a McCann.
Deve-se, de facto, à sua visão a criação da Infoplan, o departamento de assessoria mediática da McCann. Já me
referi a este tema em outros momentos, mas volto a recordar que, para os jornalistas que trabalhavam nas redacções dos anos oitenta, a Infoplan era uma fonte muito comum, em particular na área económica.
O jornalista Carlos Pina dirigiu, durante meia-dúzia de anos, esta operação da McCann, exactamente durante o período que podemos considerar de anos de ouro, pelo menos ao nível empresarial, da Publicidade no nosso País.
A dada altura, Pina resolveu deixar a McCann e lançar uma organização própria a que chamou de Infoplus.
Visitei as suas instalações, nas Laranjeiras, poucos dias depois de ter começado a funcionar, e surpreendi-me com a qualidade das mesmas e com o número de recursos humanos envolvidos. Era incomparavelmente melhor e maior que a LPM, que eu entretanto tinha criado, e lembro-me de ter trocado algumas piadas acerca da “ambição” de Pina.
Infelizmente, a Infoplus durou pouco tempo. E a Infoplan, que veio a ser dirigida pelo Carlos Plantier, outro jornalista, também foi perdendo a sua projecção inicial face aos novos actores do mercado de assessoria mediática.
Domingo, 16 de Novembro de 2008
(James Murdoch) tells his P.R. Adviser, "You will be a sucess in this job when the press starts referring to me as the reclusive James Murdoch". Michael Wolff, Vanity Fair.

Diálogo ficcional na Casa Branca.
Porta-voz: We have nothing to annonce today. No policy, summit meetings, not a warm front meeting up with a cold front. We need a hard news announcement each day, or the press runs amok.
Assessor politico: Maybe no news is good news.
Porta-voz: No news is very, very bad news. If we don't run offense, we're running defense.
Assessor politico: You find an way to feed the beast.
Porta-voz: The alternative's that if feeds on us.
“The West Wing” exactamente naquele episódio em que Joaquim de Almeida faz a sua aparição no papel de diplomata argentino.
Sábado, 15 de Novembro de 2008
Aquela entrevista engraçada que me foi publicada num jornal do “trade” acabou por estar na origem de um pequeno episódio interessante.
Na altura, estávamos em mudanças na LPM, não estava mobilada a sala de reuniões mais próxima do local onde trabalho, e a amável conversa decorreu, anormalmente, no meu gabinete.
Por essa razão – não sei se repararam… - é dado algum destaque fotográfico a um quadro que me acompanha recentemente, "Livros em fuga", de Norberto Nunes, artista que, aliás, não conheço pessoalmente.
Ora, Norberto Nunes deve ter visto o tal jornal em alguma banca, porque havia uma grande foto na capa, e reparou no pormenor do seu quadro.
Por isso, em jeito de gentileza, ofereceu-me um exemplar do seu álbum “O poeta é um fingidor”, no qual encontramos uma qualificada série de pinturas inspiradas pela obra de Fernando Pessoa.
Apreciei o sentido de oportunidade. Quanto ao álbum, vou agora dar-lhe a devida atenção. "Livros são papéis pintados com tinta..."
Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Luís: No domingo, dia 16, assinala-se o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada. O programa da iniciativa encontra-se aqui. Um abraço da Maria Teresa Goulão

Sempre achei que António Guterres, um excelente orador, era especialista em criar
soundbites ao contrário, isto é, que se viravam contra ele. Exemplo?
No jobs for the boys. A partir do dia em que o disse, os media ficaram com a vida facilitada na escolha dos títulos que denunciavam nomeações partidárias.
Pois, o
Gulliver elencou há dias três
soundbites extraordinários – embora mais compridos, menos
bites – do género “desculpas esfarrapadas”.
Cá ficam eles:
Perante a alegação de que qualquer terrorista inteligente consegue escapar aos controlos aeroportuários, alguém justificou-se: Don’t forget that most bombers are not, in fact, clever. The person agreeing to carry it (the bombs) may not be super smart. Even if all we do is stop dumb terrorists, we are reducing risk.
Perante as falhas da protecção civil no furacão em New Orleans, alguém respondeu: I would like to point out that Katrina was a very big hurricane. Most storms, in fact, don’t become hurricans and i tis these storms that we will focus our efforts on.
Perante a violência no Iraque, alguém contrapôs: (There had been) absolutely no violence in the unpopulated parts of Iraq. Outside of the large cities and smaller villages, Iraq is largely unpopulated.
Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Esta notícia fez-me recordar o que ocorreu com a Publicidade a partir do momento em que, para muitos, os Prémios passaram a ser mais importantes que os Clientes.

Nas últimas semanas, a agenda política nacional albergou dois temas – o aumento do salário mínimo nacional e a avaliação dos professores – que interessam àqueles que, como eu, dirigem empresas.
Quanto ao salário mínimo, vários (entre associações, partidos e políticos) em nome das empresas criticaram a decisão do Governo. Quanto à avaliação dos professores tudo se passou como se o tema não interessasse às empresas.
Ora, eu tenho para mim que a questão da avaliação dos professores é muito mais perigosa para o clima empresarial de um País que todos (embora alguns a rir) dizem querer que seja competitivo.
Comecemos pelo salário mínimo. Na minha opinião, este é um tema que compete claramente ao Governo – e não aos empresários. Trata-se de subir um pouco o patamar inferior dos trabalhadores portugueses (que trabalham num ambiente de cumprimento da lei).
Aceito que a medida provocará problemas a algumas empresas, mas acho que as empresas têm de cumprir obrigações mínimas para poderem sobreviver e uma delas, talvez a mais importante, é retribuir os seus colaboradores de acordo com determinados padrões.
E o padrão estabelecido pelo novo salário mínimo é…, como dizer, mínimo.
Já quanto à questão dos professores que são funcionários do Estado (porque os professores que não são funcionários do Estado são avaliados nas empresas onde trabalham), penso que os empresários devem exigir do Governo que avalie com critérios de exigência todos os seus colaboradores.
É um princípio que deve ser cumprido pelo principal empregador português – o Estado – por várias razões, mas, em função do âmbito deste apontamento, para que não sejam dados sinais errados aos colaboradores das empresas privadas.
Se é justo que seja o Governo a nivelar por baixo os vencimentos dos trabalhadores, seria a maior das injustiças que o Governo desse sinais de que as empresas devem nivelar pelo mediano – isto é, sem avaliação – todos os trabalhadores, confundindo os competentes com os baldas, os cumpridores com os desajustados.
Na minha opinião, qualquer facilitismo da parte do Governo em matéria de avaliação dos professores é, por isso, bastante mais prejudicial para as empresas do que o aumento do salário mínimo nacional.
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Não é fácil analisar um mercado que não tem indicadores.
Infelizmente a iniciativa da LPM de publicar os seus indicadores não foi seguida por nenhum concorrente – sim, levantam-se vozes de contestação mas, no fim do dia, ninguém publica os seus indicadores e alguns acabam a inventar meia-dúzia de desculpas esfarrapadas para isso…
Assim, acabamos por ter de nos servir da comparação com outros mercados próximos com dados disponíveis e por tomarmos a nossa observação pontual como sinal do que se passa na totalidade do mercado.
Por isso, admito que o mercado do Conselho em Comunicação tenha chegado ao estado maduro. Isto é, que a curto prazo deixaremos de poder contar com o paradigma actual de vermos que a chegada de novos clientes e projectos ultrapassa os que abandonam o mercado e as novas ofertas.
Mas, confesso que esta teoria empírica choca, por vezes, com dados avulsos muito concretos.
Por exemplo, pedi para me estudarem a cobertura de consultoras de comunicação no nicho de mercado da hotelaria (que se relaciona com jornalistas) e na disciplina de assessoria mediática.
E cheguei a uma conclusão surpreendente: de uma amostra (altamente representativa) de 37 hotéis e cadeias hoteleiras que operam no nosso mercado, apenas 9 contactam os media através de consultoras de comunicação (por sinal, apenas 6 porque 3 repetem clientes).
Quer isto dizer que os restantes 28 hotéis e cadeias fazem com meios próprios a sua assessoria de imprensa (sublinho que todos os 37 mantêm relações regulares com os media). Afinal, ainda temos mercado por explorar…
Terça-feira, 11 de Novembro de 2008
O objectivo dominante de qualquer proposta eleitoral consiste no alargamento da base de apoio.
Ora, quando as várias marcas partidárias da oposição se concentram nos mesmos valores estão, no fundo, a estreitar o somatório das suas bases de apoio.
É claro que as consequências não são iguais para todas. São, de facto, mais gravosas para aquela ou aquelas cuja identidade estratégica se afasta mais do ingrediente táctico assumido.

O ambiente económico-financeiro está, no entanto, diferente neste final de ano. E tal ocorre provavelmente no momento em que o nosso mercado atinge a maturidade.
Portanto, é de admitir que, em 2009, o mercado português do Conselho em Comunicação tenha um crescimento nulo ou, mesmo, ligeiramente negativo.
Se assim for – e, como é altamente provável que tal ocorra, devemos planear para esse cenário -, já não devem ser os indicadores de aumento das vendas e de aumento da quotas a orientar a acção empresarial.
Pelo contrário, com este cenário realista, o factor fundamental deve ser o de preservar ou aumentar as margens comerciais das nossas operações – dando uma especial atenção à rentabilidade, à eficiência e à produtividade.
Olhando para o lado, vimos o que ocorreu no mercado próximo da Publicidade. Os agentes deste segmento perderam, praticamente ao mesmo tempo, vendas (porque grande parte dos serviços que prestavam passaram para outros tipos de prestadores de serviços), relevância (porque as quotas de mercado das maiores foram-se diluindo numa imensidão de concorrentes) e margens comerciais.
No nosso segmento, devemos tentar ser capazes de aceitar um esfriamento da procura e, inclusive, uma deterioração das quotas (sobretudo nas consultoras médias) em função da chegada constante de novas ofertas.
Mas, ao mesmo tempo, devemos ser capazes de combater para que as margens comerciais se mantenham – tanto mais que são elas que traduzem a percepção dos serviços que prestamos.
Como conseguiremos fazê-lo? Ainda não comecei a catequização interna, mas estou a preparar-me para dizer ao povo da LPM que, em 2009, temos de ser capazes de oferecer mais a cada um dos nossos clientes – sem que, com isso, estejamos exactamente a vender mais a cada um deles.
Ora, se 1. não vendemos mais em cada contrato, 2. queremos oferecer mais em cada contrato e 3. queremos manter as margens comerciais das nossas operações, só nos resta sermos capazes, cada um de nós, de encontrar um impulso adicional para melhorar o nosso trabalho.
Cada um de nós terá em 2009 mais um ano de experiência e de integração. Cada um de nós terá em 2009 mais um ano de conhecimento do cliente ou dos clientes que acompanha. Cada um de nós terá em 2009 mais um ano de cumplicidade com a direcção e a equipa que integra.
Por isso, estão reunidas as condições para sermos mais produtivos e eficientes.
E é o reforço da produtividade e da eficiência que vai permitir-nos apoiar melhor os nossos clientes num período em que, também eles, estarão a viver num ambiente económico-financeiro exigente.
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Fica feito o convite para a comparação entre a peça sobre consultoras de comunicação publicada no último Expresso (8 de Novembro de 2008) e o trabalho com âmbito idêntico que viu a luz do dia em 27 de Outubro de 2007. Entre um e outro há a curiosidade de se ter passado praticamente um ano.
Pois bem, no que respeita à LPM, em 27 de Outubro de 2007 o Expresso previa 7,1 milhões de euros de facturação nesse ano. Confirma agora, citando a Dun & Bradstreet, que o número atingido foi de 7,8 milhões de euros.
Já quanto à outra consultora cujos indicadores podem ser comparados, em 27 de Outubro de 2007 o Expresso previa 7 milhões de euros de facturação nesse ano. Confirma agora, citando a Dun & Bradstreet, que o número atingido foi de 4,4 milhões de euros.
Quer isto dizer que a segunda consultora estava a prever vir a facturar apenas nos 2 últimos meses do ano tanto como nos primeiros 10 meses do ano e não conseguiu. É preciso ter azar…
Tratando-se da consultora do presidente de vogal da assembleia-geral da Apecom, resta-me recordar aquele lugar-comum de que não se pode credibilizar seja o que for com protagonistas que não são credíveis.

O ambiente foi-se modificando nos anos mais recentes, nomeadamente no ano passado e neste que estamos agora a fechar. Deu-se, certamente, um crescimento do mercado do Conselho em Comunicação, mas em ritmo mais sustido.
Ora, perante estas circunstâncias, a rubrica do crescimento das vendas foi secundarizada, segundo o meu ponto de vista e independentemente das performances obtidas pela LPM, e a conquista de quota de mercado – sem prejuízo da preservação das margens – tornou-se no factor preponderante.
Porquê? Porque, penso eu, numa actividade como a nossa, o elemento mais importante da vida da consultora é a sua relevância – quer do lado dos clientes, quer do lado dos públicos – e tal só se obtém com quota de mercado.
O que leva uma consultora sólida, com qualidade e implantada no mercado a perder projectos e clientes durante anos sucessivos, se manteve a mesma equipa dirigente e aumentou as suas credenciais? Esse problema, que ocorre com alguma frequência, deve-se geralmente à perda de importância – ou de relevância - da consultora. Isto é, a perda de quota de mercado.
Por pensar assim é que nunca “deixei” que a LPM fosse percebida no mercado como uma consultora velha, ultrapassada pelas novas ofertas que surgiam. Pelo contrário, sempre que nos atacaram neste ingrediente fundamental da nossa percepção, procurámos responder com as nossas melhores armas (sim, às vezes um bocado à bruta).
De qualquer forma, se o mercado cresce pouco – mas cresce alguma coisa – e nós conseguimos aumentar a nossa quota de mercado, por arrasto estaremos a aumentar as nossas vendas.
Domingo, 9 de Novembro de 2008
Ao conceito da maioria absoluta, devemos acrescentar o da minoria absoluta. O que é a minoria absoluta? É aquela em que todas as oposições, na ânsia de se colarem ao popular, tomam as mesmas posições e confundem-se umas com as outras.

Como sabem, tenho aproveitado o palco dos Lugares Comuns para abordar algumas questões relacionadas com a minha experiência de administração (distante…) de uma consultora de comunicação do mercado português. E faço-o essencialmente por entender que, no nosso País, existe pouca cultura empresarial.
Esta lacuna ou defeito é, ainda mais evidente, em sectores como o nosso onde a generalidade dos protagonistas, como foi o meu caso nos primeiros anos da LPM, consideram o “modelo empresa” apenas instrumental para o exercício das suas actividades profissionais.
Por estes dias, porque estamos a perspectivar o que será 2009 no meio deste ambiente económico-financeiro instável e pessimista, dei-me a pensar em vendas, quotas e margens, temas razoavelmente distantes do meu dia-a-dia de consultor centrado no institucional.
Ora, decidi escrever algumas notas (em vários dias) a propósito da minha reflexão, por entender que as mesmas podem ajudar a compreender o que nos espera e servirá de esboço da estratégia da própria LPM.
Nos anos da mudança do milénio, o mercado português do Conselho em Comunicação esteve sempre em generoso crescimento. Por isso, deve ter sido possível a (quase) todos os operadores ver crescer as suas vendas. Alguns, a maioria certamente, também terão melhorado as margens de ano para ano. E alguns, menos, terão igualmente aumentado as quotas de mercado.
De qualquer forma, como o mercado cresceu anualmente na casa dos dois dígitos, (quase) todos devem ter podido mostrar desempenhos interessantes no capítulo do crescimento das vendas, tanto mais que a chegada de procura ao mercado foi sempre muito superior à saída da procura e à chegada da oferta.
Sábado, 8 de Novembro de 2008
Desinformar ou informar mal é uma forma de manipulação de massas historicamente usada por aventureiros e demagogos com as consequências desastrosas que se conhecem. É tão fácil convencer os lisboetas de que não deviam ter contentores, como os contribuintes de que não deviam pagar impostos. João Carvalho, Presidente da Comunidade Portuária de Lisboa, Sol, 8 de Novembro de 2008
Eu sei que a formação jurídica não é o forte de Miguel Sousa Tavares, por isso vou explicar-lhe o significado de arguido. Fazer a “assessoria de imagem dos grandes negócios” não torna uma empresa arguida de coisa nenhuma. Fazer contrabando de divisas pode tornar alguém arguido, caso a Justiça funcione.
Caro Luís Paixão Martins: O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas aprovou uma recomendação para que os jornalistas escrevam numa linguagem clara, assente num relato dos factos “com rigor e exactidão”, abstendo-se de “toda a forma de apologia ou de incitamento de todas as formas de violência, de ódio ou discriminação”.
A
recomendação – abstraindo-nos do motivo que a provocou – é interessante e nasce de uma preocupação deontológica dos jornalistas.
Mas constitui uma boa oportunidade para nos lembrarmos dos quatro C do Livro de Estilo da LPM: Clareza, ou seja, textos com frases curtas, de fácil compreensão, apelativos, mas que não suprimem pormenores da informação; Correcção, com informação concreta e correcta, que elucida os factos comunicados; Credibilidade, com dados verificado; Concisa, ideias escritas de forma ordenada, no menor número de palavras e em frases curtas.
Estas regras implicam sabermos que os adjectivos valorativos, como os advérbios de modo, enfraquecem as frases e tornam os textos mais difíceis de ler.
Em resumo, como o nosso livro nos recomenda, um estilo criativo e simples, que apresenta os factos de modo directo e rigoroso. Cumprimentos do Pedro R
Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

A propósito da próxima contratação pelo Governo dos Açores de uma consultora de RP em Bruxelas, Henrique Burnay produziu uma pequena nota sobre a realidade do lóbingue junto da União Europeia.
Destaco: O lóbingue “não só é aceite como é desejado. Tomam-se demasiadas decisões, sobre demasiados dossiers, com demasiadas implicações, para alguém pensar que ouvir os diferentes interesses é um erro. Muito pelo contrário.”
Recentemente, apoiei um cliente que procurava intervir numa iniciativa normativa do Parlamento Europeu. Por essa razão, fui recebendo e comentando e recebendo e comentando os sucessivos rascunhos que o documento foi conhecendo.
E, assim como ocorria com a instituição que eu apoiava, várias outras procediam do mesmo modo, assim como, naturalmente, o relator da iniciativa e os seus colegas destacados pelos vários grupos políticos.
Tudo isto ocorreu na maior transparência e dentro da máxima normalidade. No final, os eurodeputados votaram o que entenderam votar.
Defender interesses é uma função fundamental dos sistemas democráticos. E é um direito.
Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008
Luís, bom dia: A idade faz o posto quando associado, como o Luís refere, à experiência, ao valor da pessoa e ao seu próprio percurso (reza um mito actual, na gestão, que quem não atinge grandes conquistas antes dos 40 já não vai a tempo…). Obrigada. Alexandra

Qual é a principal queixa dos clientes face às consultas de comunicação? Que, muitas vezes, os seus recursos humanos são excessivamente jovens, isto é, com pouca experiência profissional.
Os clientes têm, nesta matéria, toda a razão. O princípio mesmo da consultoria assenta em valores que se adquirem com a idade, ou melhor, com a experiência: visão alargada, convívio com cenários semelhantes, informação adquirida, bom senso, espírito racional.
Por isso, os clientes privilegiam os consultores mais experientes e tendem a secundarizar os mais jovens.
Na LPM, onde temos consultores relativamente jovens com muita qualidade, procuramos corresponder a esta visão do mercado, deslocando os mais experientes para o “front office” e os menos experientes para o “back office”.
Deste modo, mergulhamos os mais jovens nos mesmos projectos e em situações idênticas àquelas com que convivem os mais experientes, esperando que se destaquem, no interior das suas equipas, nas tarefas do dia-a-dia.
Dos mais jovens surgem sempre as ideias e as propostas mais interessantes e imaginativas, embora, por vezes, algo fora do contexto. Os mais experientes funcionam, nestes casos, como um filtro de consistência e de avaliação dos riscos.
A nossa publicação interna (“Alertas LPM”) é um bom exemplo deste sistema de trabalho. Foi uma colaboradora com pouco mais de um ano de experiência quem, numa reunião interna, se queixou de omissões no processo de comunicação interna da LPM.
É ela quem está responsável, desde então, pela nossa publicação interna, sendo que, naturalmente, o seu trabalho é supervisionado por alguém mais experiente.
Uma publicação interna seria, provavelmente, um projecto secundarizado, esquecido na gaveta, por um consultor mais experiente. Julgo que se trata de um projecto motivador e curricular para uma jovem gestora de projectos recém saída do grupo de analistas.
São exemplos destes que temos de dar aos nossos clientes. Respeitando o conceito de que, em consultoria, a antiguidade é um posto, mas, ao mesmo tempo, enaltecendo os contributos que os mais jovens trazem a um sector como o nosso – de mudanças frequentes e radicais.
Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008
A propósito das eleições presidenciais dos Estados Unidos, participei, há dias, num debate promovido pela Fundação Luso-Americana (FLAD). E, na circunstância, em face do que passou na campanha, acabei por identificar duas boas razões para se defender o papel do jornalismo na nossa sociedade.
Por um lado, porque à medida que proliferam os media sociais e alguns deles ganham razoável popularidade, podemos constatar as profundas diferenças de critérios, de qualidade e de responsabilização destes novos media face aos media clássicos.
Sim, sabemos que existem media sociais de referência e media industriais rascas, mas a regra geral é a inversa. E tal deve-se aos chamados critérios jornalísticos – por mais difusos que eles sejam.
Por outro lado, porque se não fosse o regime de “gatekeeper” que os jornalistas asseguram no sistema mediático e se as fontes interviessem directamente sem esse crivo, as coisas seriam muito piores.
Querem um exemplo? Retiro-o da monitorização do Wisconsin Advertising Project (
citada pelo Economist): são negativos 73% dos anúncios da campanha de McCain e 61% da de Obama.
Com este fervor pelo negativo demonstrado pelos consultores de marketing político quando decidem sozinhos o que comunicar – porque compram o tempo de TV -, percebemos melhor como a edição jornalística é benéfica ao equilíbrio da nossa sociedade.